Libertinos

És a platéia de si.




Quinta-feira, Maio 29, 2008


“Quer dançar?”, ela me perguntou. Eu morri naquela noite. Fazia frio, era inverno, mas, embora o frio lá fora nunca tivesse chegado até nós, o frio interno obliterou o calor do fogo que ardia no terraço e saiu para confrontar a frialdade da estação em seus próprios termos. Dançamos e, apesar de minha mão tocar-lhe a base das costas, era ela quem me conduzia. A música vinha... de algum lugar. Cordas. Um piano. Era tudo. Não cheguei a ver os músicos, mais eu ouvia a melodia. Era uma peça estranha para se dançar: uma nênia, quase um réquiem. A brisa movia as cortinas. Dançamos e ela se aproximou, como se quisesse beijar-me o pescoço. Mas não foi um beijo, e sim a mais doca perdição. Foi então que ela tomou minha vida, e eu senti a vitalidade escorrer por minha garganta numa explosão carmesim. E, em seguida, ela a devolveu.

Prelúdio I

Ato I

Introduction

Aqui estamos, prontos para mais uma noite
Vivendo os atos
Esperando pelo máximo que a vida pode nos dar

Assim vivemos
E provavelmente
Assim morreremos

Você não irá gostar de nós
E não esperamos que goste
Estamos apenas contando nossas histórias

As conclusões
Eu deixo a cargo de vocês

Nós somos
Os Libertinos

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